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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Pátria Livre

 Jéssica ama Clarice, que está de partida para Portugal.

Em Portugal nasceu Maria, filha de Ana e Marcela, com 4kg e 53cm, num parto normal humanizado e seguro. 

Catarina é médica, numa especialidade majoritariamente masculina, e tem um machado de Labres tatuado no braço.

Na turma de Giovana, todas se formaram e, hoje, moram no exterior trabalhando na área de tecnologia.

Carla, é atleta de Crossfit, e viúva de Amanda, que morreu de acidente de carro na Marginal Pinheiros.

Luciana é professora de uma Faculdade de Letras de uma universidade pública e lançou seu primeiro romance com uma protagonista lésbica.

Miriam é ativista do movimento negro, advogada e trabalha num grande escritório composto apenas por mulheres.

Luísa trabalha num restaurante de comida típica à beira mar e à noite canta numa banda de forró só de mulheres.

Mônica dirige uma construtora liderada por mulheres e adora gibi e anime japonês.

Eduarda, dando o braço a torcer, telefonou para Mônica e elas estão juntas até hoje. 

Michele acabou de financiar seu primeiro apartamento e pediu Carolina em casamento na Serra da Canastra próximo à nascente do São Francisco.

Margarida aos 70 anos, depois de criar filhos e netos, decidiu sair da capital e morar junto de Aparecida numa fazenda no interior do estado como planejaram quando eram duas adolescentes apaixonadas no recreio do ensino fundamental.

Ana aos 80 anos descobriu o WhatsApp e, influenciada pelas netas, decidiu finalmente mandou um coraçãozinho para Fátima. Hoje elas se encontram toda tarde para confidências e xameguinhos. Ainda não perceberam, mas já estão namorando.

Rafaela lê mulheres, vota em mulheres, trabalha em parceria com mulheres e ama o jeito com que é amada por outras mulheres.

Mulheres não nascem, tornam-se travessia.

Antígona, Capitu, Macabeia, Diadorim...

Pátrias livres, Patrícia. 

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