Num mundo marcado pela diversidade interpõe-se a divergência entre pontos de vista. Serão sempre pontos de vista a partir de um PONTO - seja o da porta da frente, seja o da porta dos fundos. É nesse espaço de escolhas que a arte se irrompe e transfigura-se em seu poder de recriar a vida, transformar as mentes, afetar as sensibilidades, encurtar as distâncias e encontrar os olhares. Se desejar entrar, a porta está aberta. Achegue-se mais e seja bem-vindo(a)!
quinta-feira, 1 de maio de 2014
domingo, 6 de abril de 2014
Abaixe o tom
O amor costuma ser grátis.
Jamais barato.
Todo volume máximo cai invariavelmente no esquecimento.
Rituais para lembrar são sussurros
somados a duas voltas completas na fechadura.
Mulher nenhuma coloca um disco de Chico à toa.
Pretensiosas todas, somos!
A mesma que inventa um sorvete de açaí pra te agradar,
envenena secretamente teu café na manhã seguinte.
Coloca teu coração ajoelhado no milho no fundo da sala.
Jamais barato.
Todo volume máximo cai invariavelmente no esquecimento.
Rituais para lembrar são sussurros
somados a duas voltas completas na fechadura.
Mulher nenhuma coloca um disco de Chico à toa.
Pretensiosas todas, somos!
A mesma que inventa um sorvete de açaí pra te agradar,
envenena secretamente teu café na manhã seguinte.
Coloca teu coração ajoelhado no milho no fundo da sala.
Segundos depois, volta atrás.
Constrangida, suspende o algoz do castigo atroz
e oferece colo afagando teus cabelos com olhos redimidos de lágrimas.
Quando alguém fizer silêncio,
Quando alguém fizer silêncio,
por favor,
ouça!
sábado, 29 de março de 2014
Matéria-prima
Somos o contraponto da cidade convencional.
Somos o desejo que não se consome no fogo da lareira.
Somos o que os outros chamam de sorte.
Somos a contravenção de um bom ladrão.
Somos o que nos dá coragem mesmo tremendo de medo.
Somos a noite debruçando suas luzes sobre a calçada.
Somos os botões de fuga que acionamos diariamente.
Somos a criança de colo admirando a barba branca do pai.
Somos a sapatilha de pano nos pés da plebeia de alma nobre.
Somos os porres criativos dos amantes não correspondidos.
Somos o gordinho de óculos deslocado na festa do colégio.
Somos o desejo que não se consome no fogo da lareira.
Somos o que os outros chamam de sorte.
Somos a contravenção de um bom ladrão.
Somos o que nos dá coragem mesmo tremendo de medo.
Somos a noite debruçando suas luzes sobre a calçada.
Somos os botões de fuga que acionamos diariamente.
Somos a criança de colo admirando a barba branca do pai.
Somos a sapatilha de pano nos pés da plebeia de alma nobre.
Somos os porres criativos dos amantes não correspondidos.
Somos o gordinho de óculos deslocado na festa do colégio.
Somos o diabético que namora a geladeira.
Somos o nerd perdendo a grande chance da vida por uma crise de asma.
Somos a poesia do branco-encardido e do amarelo-verdade.
Somos o que sussurramos inconscientes enquanto dormimos.
Somos as confissões que cravamos no tronco da árvore da vida.
Somos a poesia do branco-encardido e do amarelo-verdade.
Somos o que sussurramos inconscientes enquanto dormimos.
Somos as confissões que cravamos no tronco da árvore da vida.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Quem sabe
Ele não sabe, mas açaí é o
alimento mais poético que existe.
Ele não sabe, mas os versos
são desejos repentinos das madrugadas.
Ele não sabe, mas ironia e
Nescau demais fazem mal igualmente.
Ele não sabe, mas a cidade
continua fria mesmo aos 40 graus.
Ele não sabe, mas os nossos filhos vão ouvir Dylan.
Ele não sabe, mas a minha terapeuta me aconselhou
um cachorro.
Ele não sabe, mas a bebida só é boa quando a
companhia ajuda.
Ele não sabe, mas o céu tem as estrelas que se
consegue colocar.
Ele não sabe, mas ontem foi sábado como se não
tivesse sido.
Ele não sabe, mas a pior anemia é a inanição do
afeto.
Ele sabe muito bem que o amor não tem encaixe
perfeito, mas a poesia sim.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Pacto em 4 atos
1.
No último ato de um final de semana feliz,
numa dessas tardes quentes de verão,
conhecidas por instabilizarem o mais áspero dos corações,
fomos a uma roda de samba, a Vida e Eu.
2.
Ela (como sempre) misteriosa em suas insinuações sutis
repousa meus instintos mais inconsequentes numa sonora paz,
enquanto pacifica minhas dúvidas com afetos e conselhos
entre um gole e outro numa garrafinha de água com gás.
3.
Abre um guardanapo de memórias e promessas distantes
e me aponta uma dádiva em cada ponto de esperança dissipada.
Com o tempo as duras pedras alicerçam as inconstantes quedas
quando a gente brinca com a cara espatifada no pó da estrada.
4.
Dançamos de mãos dadas alguns passos erráticos e torpes.
Embriagadas de uma bebida forte e doce, na mesa de um bar
qualquer.
E, de forma decisiva, fizemos de um brinde um pacto de vida.
A Vida e Eu...
Vamos seguir sem medo!
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