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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Anatomia de superfície- Poema concreto nº1

As bochechas, o tobogã das lágrimas.
O abraço, o bambolê colorido.
Os pés gelados, o patinete dos sonhos.
O colo, o sofá do corpo.
As covinhas, o esconderijo secreto.
As olheiras, o medo da noite escura.
Os primeiros fios brancos, a lareira da casa de inverno.
A boca, o brigadeiro de colher.
O sorriso, a tarde mais ensolarada do verão.
O cabelo, o tapete persa da sala de estar.
As sardas, a sinalização do trânsito.
A voz grave, a água de coco.
A gargalhada, o eterno clássico do blues.
A cicatriz do joelho, o Happy Hour de sexta-feira.
O bocejo, o edredom de casal.
A piscadela de olhos, o final de semana prolongado.

O amor é o substantivo da vida!

sábado, 6 de agosto de 2011

Cantada

Conto as sílabas para caber no espaço,
nesse hiato dos teus braços.
Ditongo aberto teimoso em desrimar
meus versos metrificados
a redundantes verbos indiretos e sem ação.
Sofro de um amor coloquial impublicável
envergonhado de insinuações comuns...
Olha, você é mais lindo que o vento frio
dessas manhãs recentes.
Que os jardins coloridos que ainda estão por vir,
que o suco da fruta doce dispensando o açúcar,
que um aranha-céu iluminado em noite de insônia.
Meu romance para as horas de solidão.
Meu edredom de algodão.
Sabe, você é tão doce quanto um brigadeiro
roubado antes da hora da festa
e quase tão gostoso quanto o meu todinho.