Num mundo marcado pela diversidade interpõe-se a divergência entre pontos de vista. Serão sempre pontos de vista a partir de um PONTO - seja o da porta da frente, seja o da porta dos fundos. É nesse espaço de escolhas que a arte se irrompe e transfigura-se em seu poder de recriar a vida, transformar as mentes, afetar as sensibilidades, encurtar as distâncias e encontrar os olhares. Se desejar entrar, a porta está aberta. Achegue-se mais e seja bem-vindo(a)!
sábado, 16 de novembro de 2013
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Acordo financeiro
Se aconchegue na beira das minhas promessas.
Com a vida não se faz empréstimo de longo prazo.
Tudo é investimento de risco alto!
Não paga carnê, não prevê tanto de esforço nem lucro garantido.
O desejo não assina cheque pré-datado.
Aliás, tem até nome sujo no SPC.
Siga redundante em frente sem contar com ré
porque no mesmo dia que se amanhece rico,
se anoitece pobre de marré.
Não vasculhe minhas gavetas:
você pode se encontrar.
Mantenha a calma!
Sem perder a pressa...
Com a vida não se faz empréstimo de longo prazo.
Tudo é investimento de risco alto!
Não paga carnê, não prevê tanto de esforço nem lucro garantido.
O desejo não assina cheque pré-datado.
Aliás, tem até nome sujo no SPC.
Siga redundante em frente sem contar com ré
porque no mesmo dia que se amanhece rico,
se anoitece pobre de marré.
Não vasculhe minhas gavetas:
você pode se encontrar.
Mantenha a calma!
Sem perder a pressa...
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Carta para a aniversariante do dia
Querida Patrícia,
Enfim chegaram seus vinte e oito
anos... Inevitável o clima de crise
existencial, mas perceba que as aflições são circunstanciais e podem ser abrandadas quando se
compreende que há, pelo menos, duas maneiras sábias de conceber a passagem do tempo. Uma
filosófica e outra prática. Como uma brisa leve que acaricia teus cabelos ou
como uma rajada impetuosa de vento que destelha a vida. O importante é passar
por cada experiência proporcionada com a transitoriedade que cada uma merece. Não se iluda nem se
aprisione num concretismo pessimista.
Que a maturidade do
presente não oculte teu riso irônico quando apontares teus próprios
defeitos nem te faça esquecer que o melhor aconchego é o colo que a gente mesmo
se oferece. É seguramente melhor ficar com rosto vermelho
por dois minutos do que com riso amarelo para o resto da vida. Saiba também que teus consideráveis cabelos brancos
não escondem a menina amedrontada que ainda teima em viver em você. Aquela
mesma criança de pijama florido que dormia com luz acesa pelo medo do escuro é
a mulher supostamente segura e independente de hoje que, de vez em quando, ainda chora pelos cantos dramaticamente agarrada
a um disco do Chico ou a um verso de Leminski.
Que você opte sempre
pelo certo, mesmo que dê mais trabalho. Que a medicina que você exerce seja cada dia mais tecnicamente
primorosa e humanamente flexível. Peço também
que nunca te falte disposição para fazer, sem culpa, um brigadeiro de panela após um dia exaustivo de trabalho. Reverencie
a vida como você se comprometeu a fazer
desde o princípio de tudo. Entenda, de uma vez por todas, que as coisas só darão
certo quando você conseguir equilibrar o lado “Clarice Lispector” com o lado “Drummond”. Poucos conseguem entender que
a vida é um grande karaokê de óperas. Leva tempo para apurar os ouvidos. Então,
tenha calma...
Durma mais cedo, amplie sua
coleção de pijamas, continue escrevendo cartas de amor... E apresente Cartola
aos teus filhos. Eles merecem ouvi-lo! Você sabe que crescer não significa só
abandonar o conforto do “all star” e começar a usar salto alto, mas garantir
que a poesia viva mais em teu peito que nas tuas gavetas.
A vida não oferece alternativas: ou você segue, ou você segue...
A vida não oferece alternativas: ou você segue, ou você segue...
Para tudo isso só me resta
desejar-te força e coragem com um abraço profundamente acolhedor, afinal nós
merecemos isso.
Da sua amiga Patrícia, de algum lugar do futuro.
Essa trilha sonora tem como único objetivo te recordar do conselho que você adotou como lema de vida: " Minha pequena Amélie, seus ossos não são feitos de vidro e você pode aguentar os golpes da vida”.
“A vida
começa quando a gente compreende que ela não dura muito”. Millôr Fernandes
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Aniversário
domingo, 16 de junho de 2013
Devaneios insones- Protesto
O quarto bagunçado de Luísa é uma boa representação do seu mundo
interior. Quem sabe também do frio que a obrigava enrolar-se num edredom feito
um rocambole de tristeza. Para que contrariar o relógio se a vida insistia em
convencê-la de que não passava de um imperdoável despertador sem a função
“soneca”?
Tinha convicção de que ou enfrentava os próprios medos com
pontualidade britânica ou acumulava insuportáveis repreensões do chefe a sua
coleção de troféus pelo primeiro lugar no campeonato dos piores fracassos da história. Mas, ainda assim, podia sentir orgulho por, apesar de sua nítida
preferência ao tragicômico e ao mais patético, ter magoado poucas
pessoas nesse mundo. Talvez pudesse contabilizar umas duas ou três maldades das quais ela
não conseguia se perdoar.
Convenhamos que, provavelmente, isso signifique pouco perto de um mundo em
que basta ter algum senso crítico para perder o ânimo de fazer
poesia sincera ou declarar-se com originalidade para algum sujeito com
atributos alternativos àquelas belezas geometricamente simétricas e
excessivamente fotográficas.
O próximo ato revolucionário de Luísa será pichar, escondido dos seus pais, o teto do seu quarto com letras garrafais:
"Por um mundo que dê vez aos que morrem de medo antes mesmo de começar. Voz nem precisa porque somos tímidos demais para isso!"
O próximo ato revolucionário de Luísa será pichar, escondido dos seus pais, o teto do seu quarto com letras garrafais:
"Por um mundo que dê vez aos que morrem de medo antes mesmo de começar. Voz nem precisa porque somos tímidos demais para isso!"
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Devaneios insones
sábado, 25 de maio de 2013
F42
Se
eu tivesse um patinete ele teria o seu nome.
Apelidei minha bebida favorita do seu nome.
Se eu tomasse Haldol passaria as noites sussurrando seu nome.
Se estivesse desacordada entre os meus pertences encontrariam seu nome.
O caixa do meu banco tem o seu sobrenome.
A única coisa que me tranquiliza no dentista é mentalizar o seu nome.
Camões falhou ao não citar o seu nome.
Marília amava Dirceu somente porque não teve tempo de te conhecer.
Até nas histórias de reis e rainhas escuto o seu nome.
Adoraria ser o tabelião que escreveu pela primeira vez o seu nome.
No meu dicionário aparece 5 vezes o seu nome.
Meus ídolos não teriam morrido se tivessem o seu nome.
Meus professores seriam menos arrogantes se tivessem o seu nome.
O protagonista do meu filme favorito tem o seu nome.
Minha rua tem o seu nome.
A praça onde eu corro tem o seu nome.
Meu cachorro tem o seu nome.
Quando ele late eu imagino o seu nome.
O próximo decreto do presidente da república terá o seu nome.
A próxima operação da Polícia Federal ganhará o seu nome.
No livro que ainda nem publiquei terá uma dedicatória com seu nome.
Minha senha do banco tem o número de letras do seu nome.
A placa do meu carro tem as consoantes do seu nome.
Já escrevi por engano seu nome na lista do supermercado.
Já chamei o taxista do seu nome (e estava sóbria).
Já pesquisei seu nome no UpToDate.
Escrevo o 27º verso seguido com seu nome.
Preciso terminar de escrever seu nome nas páginas pares do Harrison.
Volto quando terminar para dizer explicitamente o seu nome.
Apelidei minha bebida favorita do seu nome.
Se eu tomasse Haldol passaria as noites sussurrando seu nome.
Se estivesse desacordada entre os meus pertences encontrariam seu nome.
O caixa do meu banco tem o seu sobrenome.
A única coisa que me tranquiliza no dentista é mentalizar o seu nome.
Camões falhou ao não citar o seu nome.
Marília amava Dirceu somente porque não teve tempo de te conhecer.
Até nas histórias de reis e rainhas escuto o seu nome.
Adoraria ser o tabelião que escreveu pela primeira vez o seu nome.
No meu dicionário aparece 5 vezes o seu nome.
Meus ídolos não teriam morrido se tivessem o seu nome.
Meus professores seriam menos arrogantes se tivessem o seu nome.
O protagonista do meu filme favorito tem o seu nome.
Minha rua tem o seu nome.
A praça onde eu corro tem o seu nome.
Meu cachorro tem o seu nome.
Quando ele late eu imagino o seu nome.
O próximo decreto do presidente da república terá o seu nome.
A próxima operação da Polícia Federal ganhará o seu nome.
No livro que ainda nem publiquei terá uma dedicatória com seu nome.
Minha senha do banco tem o número de letras do seu nome.
A placa do meu carro tem as consoantes do seu nome.
Já escrevi por engano seu nome na lista do supermercado.
Já chamei o taxista do seu nome (e estava sóbria).
Já pesquisei seu nome no UpToDate.
Escrevo o 27º verso seguido com seu nome.
Preciso terminar de escrever seu nome nas páginas pares do Harrison.
Volto quando terminar para dizer explicitamente o seu nome.
(Tecla SAP: F42= Transtorno obsessivo-compulsivo)
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