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domingo, 17 de julho de 2016

Centro da cidade

Tenho em mim a saudade mais forte do perímetro urbano.
Temo não caber nesse frágil coração um sorriso largo,
que combine com a amplitude do teu peito destemido nas ladeiras do mundo.
Continuo temendo os passos em falso, o revolto mar, a sutura sem anestesia,
a instabilidade do solo, a economia das algibeiras, a insônia sem companhia,
os estilhaços dos vitrais, as frases sem concordância, as almas sem discordância.
Mas um dia ainda hei de agradecer por cada rima tímida escondida nas gavetas,
pela saliva cicatrizante dos teus olhos, o unguento com cheiro hortelã de tua pele,
o silêncio do teu caos, o clarão do teu breu, as luzes enluaradas do teu céu.
Por acenderes a lareira dos sonhos e desviares a rota geométrica das certezas
até eu encontrar novo rumo, no centro de mim, desaprumo.

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